Renata F.
Itatiba · Endometriose profunda · empreende há 11 anos
“Levei nove anos até alguém olhar pra mim e dizer que aquilo tinha nome”

Quem ela era antes
Comecei a menstruar aos doze e a sentir dor aos treze. Em casa diziam que cólica forte era de família e que ia passar quando eu tivesse filho. Fui crescendo achando que era fraca, porque as outras meninas iam pra escola e eu não conseguia levantar.
O momento em que quase desistiu
Aos vinte e dois desmaiei no trabalho. No pronto-socorro o médico disse que era ansiedade e me mandou pra casa com analgésico. Eu voltei três vezes naquele ano. Na terceira, ouvi que eu estava exagerando. Cheguei em casa e pensei, pela primeira vez, que talvez o problema fosse eu mesma.
O que a fez despertar
Uma colega de trabalho me mandou o relato de uma mulher num grupo. Era a minha vida escrita por outra pessoa, com as mesmas palavras que eu nunca tinha conseguido dizer em consulta. Imprimi aquele texto e levei pra consulta seguinte. Foi a primeira vez que pediram uma ressonância.
Onde ela está hoje
O diagnóstico veio aos vinte e quatro, onze anos depois da primeira dor. Hoje faço acompanhamento, tive uma cirurgia e aprendi a nomear o que sinto. Ainda tenho dias ruins. A diferença é que agora eu sei o que são, e ninguém mais me diz que é da minha cabeça.
