Endometriose e adenomiose
Você não está inventando
Um espaço de informação, acolhimento e histórias reais, para mulheres que ouviram durante anos que a dor delas era normal.
Antes de qualquer diagnóstico
Você ouviu que era normal.
Que toda mulher sente cólica.
Que era exagero, que era da sua cabeça.
Não era normal.
Tem nome, tem exame e tem tratamento.
E esse nome demorou anos para chegar até você.
Comece por aqui
São duas doenças diferentes, e elas andam juntas
Explicado em português, do jeito que ninguém explicou para você no consultório de quinze minutos.
Endometriose
O tecido que deveria revestir o útero por dentro cresce fora dele: ovário, trompas, ligamentos, intestino, bexiga, e em alguns casos até o diafragma. Todo mês esse tecido responde ao ciclo e sangra onde não deveria. O corpo reage com inflamação, aderência e dor. Não é uma cólica mais forte, é uma inflamação crônica.
Adenomiose
O mesmo tecido invade a parede muscular do próprio útero. O útero aumenta de tamanho, endurece e dói. A menstruação costuma vir intensa e longa, com coágulos, e a cólica vem como peso que não passa, não como pontada. A Febrasgo registra prevalência entre 31% e 61,5%, e mesmo assim quase ninguém ouviu falar dela.
As duas na mesma mulher
Elas coexistem com frequência. Um exame que olha só um lado do problema devolve um "está tudo normal" que não é verdade.
Exame de imagem importa
Ultrassom com preparo intestinal e ressonância nas mãos de quem é treinado para procurar mudam o resultado. Exame de rotina costuma não ver.
Não tem cura, tem controle
A OMS é direta: ainda não existe cura. Existe tratamento, e existe uma distância enorme entre viver com dor controlada e viver em volta da dor.
Dor não mede força
Aguentar calada virou sinônimo de ser forte. Não é. Dor que atrapalha a vida é sintoma, e sintoma se investiga.
Para levar ao consultório
Sinais que merecem investigação
Esta lista não diagnostica nada e não substitui consulta. Ela serve para uma coisa: te dar palavras. Se dois ou três itens aqui descrevem a sua vida, peça uma investigação e não aceite "é normal" como resposta.
Cólica que tira você do dia
Não a que incomoda. A que faz você faltar, cancelar, deitar no chão do banheiro, tomar remédio e continuar doendo.
Menstruação intensa ou longa demais
Precisar trocar proteção de hora em hora, passar de sete dias, sair coágulo grande, ficar sem ferro.
Dor na relação sexual
Principalmente na penetração profunda, e principalmente se piora perto da menstruação. Isso tem nome clínico e não é falta de vontade.
Dor para evacuar ou urinar
Que aparece ou piora no período menstrual. É um dos sinais de endometriose profunda, e um dos mais ignorados.
Intestino que desregula no ciclo
Prisão de ventre, diarreia e inchaço que muda o corpo em questão de horas. Muita mulher trata intestino irritável por anos antes de alguém olhar para o útero.
Cansaço que o descanso não resolve
Inflamação crônica cansa. Dormir bem e acordar sem energia é sintoma, não preguiça.
Dificuldade para engravidar
Segundo a OMS, entre as mulheres com infertilidade, 25% a 50% têm endometriose. Se já faz um ano de tentativa, investigue antes.
Faltar ao trabalho todo mês
Se a sua agenda é organizada em volta do ciclo, isso é dado clínico. Anote as datas e leve.
O que ninguém conta
Não é só a dor
A doença é pélvica, mas a conta chega em tudo. Essa é a parte que fica de fora da consulta e que a mulher acaba carregando sozinha.
Saúde mental
Dor crônica e humor andam juntos, e a literatura trata isso como relação de mão dupla: a dor piora o humor, o humor piora a dor. Ansiedade e depressão aparecem com frequência alta entre mulheres com dor pélvica, e quase nunca entram no plano de tratamento.
Fertilidade
A OMS registra que, entre as mulheres com dificuldade para engravidar, 25% a 50% têm endometriose. Ter a doença não significa não engravidar. Significa investigar mais cedo, e não esperar anos para começar.
Trabalho e renda
Faltar, render menos, recusar uma viagem, deixar a promoção passar, trocar de emprego por causa da escala. A conta da endometriose aparece no holerite muito antes de aparecer no prontuário.
Autoestima e corpo
Inchaço que muda o corpo em um dia, efeito de hormônio, cansaço, vida sexual afetada. A doença mexe com a imagem que a mulher tem de si mesma, e esse é o assunto de que menos se fala.
Lipedema
Lipedema e endometriose compartilham inflamação crônica de baixo grau e desregulação do estrogênio. A literatura recente estuda as duas como expressões de um mesmo eixo hormonal e neuroimune. Quem tem uma merece investigar a outra.
Intestino e bexiga
A endometriose profunda alcança intestino e bexiga. É comum a mulher passar anos no gastroenterologista e no urologista antes de alguém juntar os sintomas ao ciclo menstrual.
Perguntas que toda mulher faz
O que você queria ter perguntado
Respostas curtas e honestas, com a fonte de cada uma. Se faltar a sua pergunta, manda no Instagram que a gente responde e publica aqui.
Quem está por trás
Começou como desabafo, virou projeto
O Florescer Endo nasceu de uma mulher que decidiu escrever o que estava sentindo, em vez de continuar engolindo. Os textos acharam outras mulheres, e essas mulheres responderam a mesma coisa: eu achei que era só comigo.
Não era. Nunca foi. É isso que este projeto existe para dizer, em voz alta e com fonte.
Eu passei anos acreditando que o problema era a minha resistência à dor. O problema era que ninguém tinha olhado direito.

O que vem por aí
Este é o começo
O Florescer Endo está sendo construído em etapas, e cada etapa nasce do que as mulheres pedem.
O espaço das mulheres
Um lugar para contar o que aconteceu com você, ler o que aconteceu com outras e perguntar sem medo de parecer exagerada. Em construção.
Rede de profissionais
Médicos, fisioterapeutas pélvicas, nutricionistas e psicólogas que entendem de endo, por estado e por cidade.
Conteúdo com fonte
Textos que explicam sem assustar e sem prometer cura, sempre com a referência no fim.
Parcerias
Empresas e instituições que queiram levar informação sobre endometriose para dentro das suas equipes.
Procurando alguém que leve a sério?
A rede está começando, e ela começa por quem já foi testado na prática por mulheres deste projeto. Se você conhece um profissional que mudou a sua história, indique.
Conte a sua história
Quanto tempo você levou até ouvir o nome? O que te disseram pelo caminho? Você escolhe se quer aparecer com nome, com as iniciais ou de forma anônima. Nada é publicado sem a sua autorização.
Aviso importante
Este site informa, ele não diagnostica
Nada aqui substitui consulta, exame ou orientação de um profissional de saúde. O objetivo é te dar informação com fonte para que você chegue ao consultório sabendo o que perguntar. Diagnóstico e tratamento são decisões clínicas, tomadas por você e pelo seu médico.
